RUBENS TEIXEIRA

SUCESSÃO PRESIDENCIAL: a religião neoliberal e a boataria no meio cristão*

Por Rubens Teixeira

SOU CRISTÃO ASSUMIDO E CONVICTO DOS MEUS PRINCÍPIOS E VALORES

Tenho recebido muitas mensagens por e-mails e redes sociais e não consigo responder a todas. Por isso, resolvi escrever este artigo. Sou cristão declarado e acho do fundo do meu coração que os princípios ensinados por Jesus Cristo e contidos na Bíblia Sagrada devem ser defendidos e seguidos. Quem me conhece da empresa onde trabalho, das salas de aula, das palestras que ministro, conhecem parte da minha história, sabem que digo em alto e bom tom que aos nove anos de idade já havia lido toda a Bíblia e que isto fez total diferença para mim. Por conta disso sou contra o aborto, casamento de pessoas do mesmo sexo e tudo aquilo que contraria os princípios cristãos.
Contudo, estrategicamente, uma onda de boatos tomou conta do Brasil, o que tem provocado discussões infrutíferas e desviado o foco de questões relevantes para o país. Por isso, sinto-me na obrigação de posicionar-me pública e claramente sobre alguns temas. Abro meu coração para o debate.

DILMA É CONTRA O ABORTO E ASSUMIU PUBLICAMENTE NÃO MANDAR AO CONGRESSO NACIONAL LEIS QUE FIRAM PRINCÍPIOS CRISTÃOS

Em afoitas ações de má-fé acusaram Dilma de ser a favor do aborto e ela já declarou ser contra. Disseram que ela havia declarado que “Nem Cristo me tira a vitória”. Dilma negou as acusações e os acusadores que usaram do anonimato não provaram o que disseram. Os beneficiários destas declarações, por si só, mereceriam a punição nas urnas.

O PNDH III E A HIPOCRISIA DE ALGUNS SUPOSTOS DEFENSORES DE VALORES CRISTÃOS

O PNDH III é um sucessor do PNDH I e II elaborados no governo FHC com a participação do outro candidato. Agora, de forma oportunista, acusam Lula, Dilma e PT de terem criado este programa? Aonde estavam tais acusadores na época em que o governo FHC criou o PNDH I e II cujas premissas foram repetidas no PNDH III? Se princípios cristãos relativos ao aborto e outros temas já tinham sido afetados naquela época, porque só agora deram conta? Cheiro de hipocrisia, má-fé e oportunismo eleitoral.
Contudo, Dilma Rousseff assumiu compromisso público de não enviar ao Congresso Nacional projetos de leis com temas considerados polêmicos por contrariarem princípios cristãos. Somado a isto, Dilma internalizou as propostas feitas pelos evangélicos e católicos por meio de compromisso público. Agora, só nos resta seguirmos o debate sobre temas nacionais relevantes de onde  nós religiosos jamais deveríamos ter nos afastado tanto.

O QUE É O NEOLIBERALISMO E QUE RESULTADOS PRODUZIU NO BRASIL

O “Consenso de Washington”, implantado no Brasil, representava o conjunto de medidas de política econômica que deveriam ser implementadas em países da América Latina. Contudo, passou a ser o símbolo de um “pensamento único” sustentador das premissas neoliberais que passo a explicar.
Trata-se de uma corrente de pensamento que defende a economia de mercado e visa, em tese, a recuperação econômica dos países latino-americanos. Essas medidas ficaram conhecidas como “neoliberais” e foram aplicadas. O eixo central era o combate ao poder dos sindicatos e a redução do papel do Estado na economia: visavam um Estado mínimo. Era uma receita de bolo: privatização das empresas estatais, flexibilização da legislação trabalhista, redução da carga fiscal e abertura comercial. O Brasil mergulhou de cabeça nesta cartilha e o resultado foi o que assistimos na década de 1990 e início dos anos 2000: a economia não cresceu, o desemprego explodiu, os salários foram achatados, reduziu-se a riqueza, a renda concentrou-se mais,  e o endividamento público atingiu limites perigosos por conta dos juros elevados. Associado a isto, o Estado mínimo neoliberal ficou fragilizado, subordinado ao mercado financeiro e longe dos interesses sociais mais caros da sociedade. Falar em soberania nacional e em políticas públicas para o combate à desigualdade social virou heresia à época. O FMI ditava as regras.
Para resumir, os neoliberais entendem que para pagar a dívida pública e as contas do governo devem cortar investimentos públicos, programas sociais, etc. É como se você deixasse a sua família com fome para pagar as suas dívidas. Eles pensam e agem exatamente assim, embora, naturalmente, tenham dificuldade de assumir e explicar este argumento. Em 1998 critiquei a política econômica neoliberal e ouvi de um economista desta linha: “Você tem alternativa?”. Imediatamente respondi algo do tipo: “Isto é o mesmo que você deixar a sua família sem comer para pagar as dívidas”. Sem resposta, ele não se sensibilizou e ignorou o que eu disse.

A MÁQUINA NEOLIBERAL DE BOATOS

Neoliberais são experts em criação de boatos para aterrorizar a sociedade. Acompanhei de perto a forma dissimuladora, maldosa e cruel de agirem. Não gostam muito de debater políticas de governo voltadas para programas sociais. Não admitem que seus projetos encampam, prioritariamente, o interesse do capital e, subsidiariamente, outros interesses sociais: migalhas que restam.
No final do governo FHC, invetaram um tal “Risco Lula” às vésperas das eleições de 2002. Boataria. Algo completamente artificial. Como era bem bolado, criou oscilações no câmbio e na taxa de juros. No fundo, o “Risco Lula” não era nada. Na verdade era o risco de se implantar uma política econômica que privilegiaria a produção e prejudicaria a selvageria de ganhos com juros altos e outros mecanismos que eu prefiro não comentar aqui. A engenharia foi tão bem montada que gerou efeitos sobre a economia. Era uma gravidez psicológica: a barriga cresceu, mas o filho não nasceu. Ou seja, criou instabilidade na economia, mas, depois que Lula ganhou, o fantasma do “Risco Lula” não nasceu. Era ficção neoliberal.

CRISES: AS PRÁTICAS RECESSIVAS NEOLIBERAIS E AS MEDIDAS PROTETORAS DA PRODUÇÃO E  DO EMPREGO

A última crise econômica mundial era a oportunidade dos neoliberais verem o governo Lula chafurdar. Isso era certo para eles, pois os neoliberais chafurdaram em todas as crises que encontraram pela frente. Lembram da taxa de juros SELIC de 49,75% no segundo semestre de 1998? Aprofundou-se a crise, o desemprego explodiu e a recessão foi horrível.
Na crise internacional eclodida em 2007, quando os mercados financeiros foram abalados por uma crise iniciada no mercado hipotecário subprime nos EUA, Lula tomou a frente e gritou para que todos ouvissem afirmando que a crise seria uma marola. Paralelamente reduziu a carga tributária e estimulou a produção e o consumo interno.  Resultado:  empregos foram preservados. Os agoureiros do mal zombaram usando todas as cornetas que possuem à custas de boas relações financeiras. Resultado: o Brasil foi o último a entrar na crise e o primeiro a sair. Novamente os boateiros neoliberais se esconderam.
Não vou comentar sobre todos os boatos porque não há tempo para isso. Foram muitos.

GARRAS NEOLIBERAIS

Quando fiz doutorado em economia, fui foco da campanha deles. Disseram, preconceituosamente, que minha universidade era fraca, que eu não tinha foco e outras coisas mais. A universidade tinha grau 5 “ótimo” da CAPES. Na universidade, uma avaliadora, neoliberal, pediu a minha reprovação no exame de qualificação. Minhas notas eram boas, mas ela avaliou que eu não tinha proficiência para fazer uma tese de doutorado. Passei em grau de recurso. Ao final, a minha tese de doutorado foi premiada no Prêmio Tesouro Nacional. Minha monografia do curso de direito, feito simultaneamente com o curso de doutorado em Economia, também foi premiada em concurso de monografia sobre economia. Artigo sobre a minha tese foi publicado em revista européia bem ranqueada internacionalmente. Precisei contar estes particulares para lhes dizer que conheço de perto as garras neoliberais, seus métodos e provar que suas premissas preconceituosas estavam erradas.
Neoliberais não gostam de debate, não querem comparar projetos de governo. Querem provocar o medo evitando o debate sobre projeto de país. Incitam o preconceito de várias maneiras dissimuladas. Possuem pessoas intelectualmente brilhantes ao redor deles que direcionam o conhecimento, as pesquisas e os argumentos para os fins que “precisam”. Tratam seus princípios como uma religião. Todos os que pensam diferente daquelas premissas são ignorantes, idiotas. Esta “religião” fundamentada no “Consenso de Washington” que representa o pensamento único implantado no Brasil, no passado, quer voltar a ferir a “laicidade” do Estado, entrando pela via econômica.

NEOLIBERALISMO: NEGAÇÃO DE PRINCÍPIOS CRISTÃOS FUNDAMENTAIS

Voltando então ao que eu disse no início, os boatos são mecanismos usados para tirar o foco das pessoas para que não pensem nos temas realmente relevantes, no que mais interessa para o seu futuro. Eu temeria muito votar em Dilma se identificasse nela um risco de ter meus princípios cristãos afetados. Contudo, isto está mais do que superado. Mas agora eu é quem quero discutir profundamente o tema. É por defender princípios cristãos que defendo uma política voltada para o combate à fome e à miséria, voltada para o combate à desigualdade social. Se o outro candidato não tivesse visão neoliberal teria se afastado de grupos políticos que defendem este pacote de medidas que massacram os desfavorecidos. Ele teria rompido com os guardiães do neoliberalismo no Brasil. Ele não declarou ter rompido com esses princípios perniciosos aos mais carentes. Jesus ensinou que dois não andam juntos se não estiverem de acordo: o outro candidato e a sua base estão muito de acordo, aguardando a oportunidade de implementarem as medidas coerentes com o que entendem ser o “melhor”, conforme já fizeram. Só que essas medidas serão prejudiciais aos mais carentes. O outro candidato não conseguirá romper com estes princípios sozinho, pois a sua base não permitiria.

COMO DEVO VOTAR

Não vou dar eco a argumentos preconceituosos e nem deixar que desviem o foco do debate. Cada um de nós votamos em quem queremos com base em análise individual. O voto não precisa ser justificado, a não ser para a nossa própria consciência. Não teremos na Presidência da República um ser sobrenatural que resolverá todos os problemas do Brasil, mas voto identificando os frutos de cada um e, dentro do cenário existente, no que tem o melhor projeto de país para a maioria dos brasileiros. Por isso, voto em Dilma, porque representa a continuidade de um governo que prestigiou o desenvolvimento do Brasil, a geração de empregos e a distribuição de renda. Por meio de programas sociais, duramente criticados por neoliberais de plantão, 28 milhões de brasileiros deixaram a miséria e 36 milhões ingressaram na classe média. O Brasil tornou-se referência internacional no combate à fome e à miséria. Poderia falar ainda do significativo aumento do salário mínimo, da maior democratização do ingresso nas universidades públicas, da construção de universidades e escolas técnicas, da gestão estratégica dos recursos energéticos, da democratização de acesso à casa própria, e, dentre outros, da gestão do pré-sal em prol do combate à desigualdade social, mesmo com oposição majoritariamente do grupo que apóia o outro candidato. A soberania nacional e o sentimento de brasilidade foi fortalecido. O brasileiro humilde foi prestigiado e nunca mais será visto como brasileiro de segunda classe. O Brasil como um todo cresceu. Esse é o projeto de país que escolho e, ao escolhê-lo, levo em conta os princípios cristãos.
Caso você queira votar no outro candidato, você é livre para isso e sequer precisa declarar ou explicar aos outros, mas não se deixe influenciar por boatos, mentiras e procure responder para a sua consciência o porquê do seu voto. Se você fizer assim, a verdade vai prosperar e o Brasil vai ganhar.
Na parábola do bom samaritano, Jesus exaltou a atuação do bom samaritano, e mostrou que o sacerdote e o levita, por mais envolvido e defensores dos princípios religiosos que fossem, não foram capazes de socorrer o próximo. A despeito de sabermos da existência de muitos cristãos que cumprem bem o seu papel, não posso deixar de destacar o que fez o governo Lula para socorrer os necessitados em seu governo. Apesar de ele e a Dilma agradecerem costumeiramente a Deus pelos seus êxitos, se alguém quiser desprestigiá-los por questões religiosas, poderão chamá-los de samaritanos, mas pelo que fizeram, foram os bons samaritanos e, como Jesus Cristo fez, devo prestigiá-los por isso.

* Rubens Teixeira da Silva é doutor em Economia (UFF), mestre em Engenharia Nuclear (IME), pós-graduado em Auditoria e Perícia Contábil (UNESA), engenheiro de Fortificação e Construção (IME), formado em Direito (UFRJ), e bacharel em Ciências Militares (AMAN). É professor universitário, oficial da reserva do Exército, membro da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG) e da Academia Evangélica de Letras do Brasil (AELB). Recebeu o Prêmio Tesouro Nacional com a sua tese de doutorado e prêmio Paulo Roberto de Castro, promovido pelo Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central, com a sua monografia de Direito adaptada. É professor universitário, articulista e palestrante. É pastor da Assembléia de Deus.

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